15.4.11

TRAGÉDIA DO RIO DE JANEIRO

UMA CRÍTICA AO MODO BRASILEIRO DE FAZER, VER E INTERPRETAR A NOTÍCIA.

MARCELO DE FREITAS

Um texto com este título é, infelizmente, repleto de valores, apesar de todos estarem certos neste momento sobre o assunto que vou tratar, pela repercussão da mídia ao caso da escola em Realengo. Quero ampliar um pouco mais a minha capacidade de imaginação, ampliar mais do que a mídia pode noticiar (mesmo numa cidade que constantemente é bombardeada de informações sobre tráfico e criminalidade), pois muito do ocorrido na “cidade maravilhosa” não desce dos morros e não atrai audiência.

Milícias armadas, seguranças particulares só são noticiados, só ganham (ou perdem) status-quo quando atingem a interesses ou a comoção de uma pequena margem da população (geralmente zona sul). Quero deixar clara algumas questões. Quantos não são os massacres tão cruéis ou mais contra a população em bairros e favelas? Quantas não são as vítimas pobres dessas mesmas milícias ou do tráfico? Isso quando não é um braço do Estado (polícias, exércitos) que comete atrocidades contra civis e ninguém fica sabendo.

Só pra exemplificar coisas que sempre acontecem na sociedade e poucas vezes são noticiadas na mídia tem um caso recente na praça XV, onde um policial recolhe um skate alegando que não se pode andar na tal praça no momento em que aparece no vídeo uma moça chorando vítima de um assalto que acabara de ocorrer. A reação do policial, é claro, foi a mais simples, continuar com o skate da turma de jovens.

Voltando, porém, ao tema central do texto, difícil não se comover com casos como este da escola, principalmente com o bombardeio midiático, que já transforma o assassino num Bin Laden, na concentração de toda ruindade que pode existir no universo. O ponto que quero chegar é que não é preciso estatísticas ou auxílios de ciências exatas, probabilidades, para se concluir que para cada caso abraçado como único na mídia em geral existem inúmeros simplesmente escondidos.

E nessa margem da sociedade e da notícia uma grande parte da população continua vivendo com um distanciamento cada vez maior de uma “cultura de notícia”, exercida nos grandes meios, que massifica uma pequena parcela da informação e deixa a cada dia mais no submundo vidas, atividades e atrocidades.

Com todas as dificuldades de representação, na margem de uma sociedade cada vez mais vítima de uma informação pasteurizada, (mesmo quando se trata de noticiar atrocidades, já que para se ter poder de negociação, de solicitação aos representantes, de pedido de segurança, há que se ter também o mínimo de conhecimento, de mídia, de voto), vive e morre todos os dias muita gente. Citando um exemplo de agendamento da mídia num assunto, ou do esquecimento de sociedades, de regiões inteiras: quem saberia me dizer, antes do ocorrido em Realengo, onde ficava o tal bairro?

Crimes como este, como o caso Isabella Nardoni, do menino João Hélio ou dos Von Richtoffen, são sim comoventes, bárbaros, mas não são únicos. Há que se dizer que estamos, leitores, ouvintes e telespectadores, num castelo de muros altos onde quem decide o que vamos ou não tomar como valores é o filtro da informação, que nas redações tem nome de gate-keeping (guardador do portão) e que, tanto na beleza quanto na ruindade, a vida é maior do que o que nos é sentenciado a todo momento como verdade absoluta e irrestrita.

4 comentários:

joao~grando disse...

Concordo tanto com isso que quase mando um "EXATO".

Anônimo disse...

ola amigo acc parceria ?

tenho o www.gbicds.com 11 Mil acessos unicos diarios
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se quizer avise - nos

vlw sucesso

thales disse...

isso ae tchelao...bom demais o texto...a vida vai sempre ter o mesmo valor,independente de ser noticiada ou não.

rahmi fadhli disse...

Mantap bgt gan
jgnlupakumbal,,,,,,,