11.9.10

Mensagem à democracia.

ELEIÇÕES 2010.



A cada dois anos é a mesma situação. Mensagens bem elaboradas de vários órgãos e entidades povoam as mídias e as ruas em outdoors, banners e santinhos por todos os lugares. É hora de exercermos maciçamente nosso direito à “cidadania”.

No caso brasileiro, é mais do que isso. É a principal, e quase única, forma de “garantir um futuro melhor”. Democraticamente, todos nos enchemos de esperança, como se estivéssemos terminando um ciclo de ruindade e tudo que virá a posteriori será o paraíso.

O que se esquece de falar nestes argumentos, principalmente criados pelo próprio órgão regulamentador do sistema eleitoral brasileiro - o TSE -, é que não há escolha. Mesmo se, em alguma situação hipotética, tivéssemos um Messias no meio de nós, o jogo político faria, certamente, com que ele não pudesse expor, em várias situações de governabilidade, as suas convicções e as idéias do povo que o elegeu. Seria mais uma vítima do sistema partidário que enaltece e endossa - a cada dia mais, nas mãos das elites - a concentração de poder.

O que fazer a este respeito? Quando este atual sistema de votação fora criado no Brasil, seguindo o regime ditatorial do fim da década de 1980, havia a possibilidade de protesto, mesmo na obrigatoriedade de se votar. O atualmente bem divulgado voto nulo tinha papel importante na sociedade. Trazia consigo uma mensagem subliminar que dizia, por exemplo: “Eu não aceito estas propostas e estes candidatos, não me sinto bem ao confiar em nenhum dos argumentos fornecidos. Troquem.” E se ao final da contagem, a quantidade de votos nulos chegasse a uma determinada porcentagem haveria a previsão de um novo pleito com novos candidatos.

Infelizmente isso acabou. Não o voto nulo, mas o poder que ele tinha. Atualmente o voto nulo na eleição é considerado como um simples erro, como se não soubéssemos digitar números num teclado semelhante ao de um telefone. São somados aos brancos e excluídos (disse com todas as letras, excluídos) do coeficiente de votos válidos e descartados da eleição.

Moral da história: Quanto mais votos nulos, maior é a felicidade de quem estiver no primeiro lugar das eleições. Por que? Porque a quantidade de votos que ele precisará para vencer em primeiro turno só computa os votos válidos, isto é, a cada voto nulo, ele precisará de um voto a menos para se eleger sem disputar o segundo turno. É ou não é um protesto sem nenhuma voz?

Porém, nem tudo está perdido. A justificativa, em caso de não comparecimento no dia da votação, é uma arma relativamente eficaz contra o sistema eleitoral, mas muito subjetiva. Sugiro, caso algum de vocês queira aderir a esta prática, que usem a imaginação. Lembrem-se de quando éramos crianças e fazíamos de um tudo para enganar mães, professores e diretores com justificativas esfarrapadas para a lição de casa. Todos já fizemos isso. No caso eleitoral é igualzinho, com um ponto a mais: Ninguém que vai analisar as justificativas nos conhece. O que, com certeza, é mais fácil na hora de inventar. Matem parentes, passem mal, quebrem ossos, enfim, entrem na ficção, inventem!

Digo que esta situação é relativamente eficaz porque não há a interpretação de insatisfação quanto às propostas eleitorais e sim de um simples caso fortuito.

Existe, também, outra situação que, por mais que seja tão relativa quanto a justificativa, a meu ver é mais significante para fins de protesto. Simplesmente não vá votar! Não faça nada, fique em casa, não justifique e que vá pro inferno todo este sistema de cartas marcadas! Para quem faz isso, existem algumas penalidades que se há de pagar. Dentre elas uma multa que, em Minas Gerais, não passa de R$5.

Neste caso; das duas, uma. Pague a porcaria de R$5 e viva feliz por dois anos ou ignore a multa e assuma os riscos, como o de não poder ser nomeado em concurso público ou não poder servir às forças armadas.

Sugiro, inclusive, a primeira opção, para se dar a possibilidade aos órgãos públicos, e a quem mais quiser, de contabilizar o índice de pessoas que “faltam”, já que quanto maior o número de pessoas que se submetem a pagar a tal multa, maior será o número de pessoas que não vai votar, o que pode modificar o modo de se fazer política por aqui.

Digo isso porque se esse índice for alto, cada vez mais os possíveis votos dessa galera vão ser cobiçados, e pra se cobiçar um voto meu, por exemplo, terão que utilizar bons argumentos.

No mais, um “bom dia de cidadão” para todos. Que todos se lembrem neste dia que os próximos quatro anos “dependem” de cada um de vocês. Que vença o “melhor para a democracia”. "O Brasil agradece"!