25.12.10

Se todos os dias fossem natal

Em um dia do ano nossas vidas se renovam de alegria, esperança, boa fé. Convivemos em harmonia, em cortesia até mesmo com os mais ferrenhos algozes. A paz reina e no trânsito não se houve o buzinaço ensurdecedor tradicional de 364 outros dias, iguais a esse. Mas por que?

Por que o espírito natalino, festivo, gentil, não permanece até os outros meses do ano. Será que as pessoas o oferecem a Iemanjá ou a alguma outra divindade como sinal de agradecimento na virada do ano, para que essa divindade tenha uma vida de paz e tranqüilidade?

A festa é tradicional, familiar e enraizada de uma forma empírica na sociedade brasileira a ponto de outros graves acontecimentos do ano raramente ofuscarem a beleza da convivência fraternal deste dia. Brigas, discórdia entre membros de uma família, por mais graves e tristes que sejam, poucas vezes estragam o convívio pacífico da grande ceia.

Não consigo entender é essa parte: se filhos perdoam pais, irmãos perdoam genros, enfim, se exercemos com tamanha perfeição a arte do perdão e do convívio neste dia do ano, por que colecionamos, enquanto sociedade, tantos traumas e inimigos no decorrer de um ciclo, já que o calendário não é mais do que uma criação humana para facilitar as coisas.

Problemas seriam resolvidos, guerras não seriam criadas e a sociedade iria ser como um desenho dos ursinhos carinhosos, extremamente entediante e chata, mas bem melhor do que o inferno em que vivemos.

A demagogia de achar que tudo isso existe e vai mudar na transição de um ano é irritantemente estúpida, assim como outras tantas dessa época, como a falsidade natalina que une pessoas, ou a perspectiva de um ano mais “justo para todos”, como se fossemos pensar nos muitos famintos que batem à nossa porta ou ao nosso carro todos os dias. Pessoas que, não sabem nem nunca saberão como é ter a mesa farta de uma ceia, que não participam nem dos restos, já que o que sobra simplesmente jogamos fora.

Por que não pensamos mais a respeito? Só pelo fato do incomodo que essas idéias nos causam? Se sim, somos os seres mais egoístas que já tive notícias.

Por outro lado - como tudo tem uma referência, um paralelo, uma outra vertente -, se conseguimos, e de fato quase sempre conseguimos, conviver com os semelhantes e com os diferentes com respeito e elegância (mesmo sem escapar dos comentários e menosprezos, porque ai seria pedir demais pro papai Noel), nesta semana de festas, isto significa que não estamos totalmente perdidos ou voltados para nossos respectivos umbigos. Se fazemos tanta força, e as vezes é preciso, para não causar ou aumentar um conflito, por que não pensamos duas vezes em hastear fervorosamente nossos dedos e se valer de todo nosso vocabulário para exercermos nossa ironia e a arte de ofender pessoas

O fim do ano, natal/réveillon, é uma época que me enche de perguntas, fico irritado, mas sempre esperançoso, pois vejo o potencial que temos. Para tornar tudo isso melhor, alguém poderia começar me ajudando a responder tais questões. É possível?

Um comentário:

Ricardo Rosa disse...

Olá pessoal, tudo bem?

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