2.5.10

Maior que o aquário

crônica feita para o pessoal da minha repartição.

Uma nova realidade é sempre contrastante com a rotina antiga e isso é fato. Nunca me vi, por exemplo, exercendo alguma atividade de escritório; fechado; em ar condicionado; com papelada e burocracia. Os que me conhecem sabem que essa realidade não tinha, e ainda não tem, nada a ver com o que gosto.

Porém, quando entrei em meu novo posto e percebi a felicidade dos servidores ao me receber, tive – e ainda tento ter - mais facilidade em me adaptar ao novo serviço. Conto para isso com a paciência e a cooperação de todos, que a cada dia me ensinam algo novo.

Desde então, prometi que faria um texto para esta repartição e estou digerindo algumas idéias. Pensei em algumas metáforas, em comparar esse pessoal com alguma coisa. A primeira idéia, como sempre, foi a mais clássica possível.

Como somos dois setores que trabalham numa mesma sala, em harmonia, pensei em comparar com o sistema bicameral do congresso, que se ajuda na criação das leis para o desenvolvimento de uma nação, mas não somos sujos como eles. Posteriormente pensei em alguns esportes, sempre me remetendo a divisão entre espaços. Veio o vôlei, mas logo percebi que não daria certo, pois não somos rivais.

Depois de alguns fracassos, apareceu o que pode ser a melhor chance de acertar: um peixe. A principio, parece estranho, mas como esse bicho tem duas cavidades no coração – um átrio e um ventrículo -, pensei de novo que a divisão pode ser a chave para a boa metáfora. Trabalhamos unidos para que o grande peixe possa continuar nadando por ai.

Aqui dentro, percebo que o estereótipo de uma repartição pública, de servidores preguiçosos, sem ânimo, que fazem cara feia quando existe a possibilidade de um novo serviço, não tem, definitivamente, vez; muito pelo contrário. Esse pessoal aqui tem muita disposição em ajudar, se mostra interessado às pessoas e aos problemas que aparecem. Enfim, somos um coração que bate forte no corpo desse peixe, e digo isso em primeira pessoa porque estou começando a entrar no ritmo, vagarosamente, mas entrando. A cada dia aprendo mais com cada um dos que me fazem companhia na rotina de trabalho.

Quem me dera, por exemplo, ter a competência; a responsabilidade da Ana, ou quem sabe o poder de concentração e a atenção da Ester, ou a sagacidade; maleabilidade e o bom senso do Ronaldo, ou a força de vontade e a dedicação do Fabrício, a seriedade e eficácia do Juarez, a beleza e prestatividade da Gisele ou o bom humor e o conhecimento do Adhemar. Ah, quem me dera!

Com todas essas características, e muitas outras que esse pessoal tem, não resta dúvida que a gente dentro desse coração de duas cavidades vai ficar maior do que o peixe, e, quem sabe, maior até que o aquário. O futuro é brilhante pela frente.

Espero que, com o passar de algum tempo e o desenvolvimento desse futuro brilhante, essas pessoas também possam se lembrar de algo bom em mim. Que possamos caminhar - tanto profissional, quanto (por que não?) pessoalmente –, com nossas vidas, afinal, amigos e amigas são sempre bem vindos onde quer que se esteja.

Obs.: agradeço ao amigo/irmão Thales pela ajuda científica.

2 comentários:

thales disse...

Não escaparei de uma redundância aqui,belo texto.O pouco que sei estará sempre a sua disposição mano.Aquele abraço pra vc executivo!

Marcelo de Freitas disse...

muito obrigado, mano. sei que posso contar mesmo com a tua vasta capacidade!