19.2.10

Um resquício de moral

Algumas figuras do direito administrativo brasileiro ainda podem ser bastante elogiadas, tanto na sua essência; criação; forma, quanto em sua aplicabilidade. A intervenção federal (prática do governo federal para intervir diretamente no controle de um ente federativo - estado ou município - para reorganizar este no que estiver em descontrole) é um exêmplo e ainda é temida nos Estados.

Da última vez que a ameaça de intervenção foi feita, ao que me lembre, foi a alguns anos na crise do sistema de saúde do Estado do Rio de Janeiro. Várias denúncias contra hospitais públicos; mobilização da imprensa; forças armadas no estado e a população desejosa por melhorias foram alguns dos fatores que, se não resolveram a situação por lá, causaram alguma pressão, muito trabalho de investigações e algumas prisões.

Porém, nada visto no Rio pode ser comparado ao que ocorre no Distrito Federal nesta semana. Uma semana atípica na cultura brasileira, onde nada de muito sério ocorre na econômia, política e em quase todos os ramos da sociedade, afinal é carnaval.

Confesso que - mesmo eu, que me interesso pela política nacional, tenho uma parte da família e um futuro pela frente em Brasília - não esperava que os recentes escândalos do governo local fossem ter andamento até o fim desse mês.

Tudo começou em dezembro de 2009 quando o governador, o vice e vários membros da política local foram flagrados recebendo dinheiro de propina. Até o fim do mês, 11 pedidos de impeachment e outros 10 de cassação de deputados distritais foram parar na Câmara Legislativa do DF.

A novela Arruda se rendeu a banho maria por algumas semanas e a casa leguslativa do Distrito Federal ignorou às provas que seguiam sendo destaque na imprensa nacional e aos anseios de órgão sérios como Ordem dos Advogados do Brasil e outros, seguindo para seu recesso administrativo.

Impeachment e cassação: duas palavras complicadas mesmo antes de se saber o significado. Depois que se sabe então, ficam bem mais. As festas de fim de ano passaram, os parlamentares do DF voltaram de férias e o caso foi reaberto com o fim da CPI da corrupção, criada para investigar o caso.
Quando tudo se encaminhava à pizzaria mais próxima e ao profundo esquecimento, a notícia do afastamento do governador e da prisão preventiva decretada, assim como a ameaça federal de tomar o controle da situação, abalou as celebrações de carnaval da cúpula do Democratas-DF.

A novela, contudo, continua, mesmo com a renúncia de Arruda, já que o vice governador ( o empresário Paulo Octavio) manifestou seu interesse em continuar no governo e pediu apoio aos deputados.

O certo disso tudo é que ainda veremos muitos capítulos desta novela "mensalão do DEM", e espero que hajam outras grandes surpresas como essa.

Um comentário:

Dri Viaro disse...

Oi tudo bem?

Vim conhecer seu blog, e desejar uma otima tarde

bjsss

aguardo sua visita :)