10.10.08

Meu sotaque deu nó

O mineirês - idioma falado entre as montanhas de Minas Gerais - tem seu charme. Falamos cantado, as vezes arrastado. a meus ouvidos, soa muito bonito. Artistas da nossa música e literatura também já se renderam aos elogios da terra dos "uais".

Sempre fui muito bem recebido aonde ia.
"Ô mineirinho, traz um pão de queijo pra nós", dizem em vários lugares as pessoas, tentando, em vão, copiar nosso charme. Em Brasília, onde visito com mais frequência, Bahia, Rio, todos elogiam por onde passo o "jeitinho de dizer" do mineiro.

Nunca tive problemas pelo sotaque, pelo contrário, arrumei muitas soluções. Amizades, mulheres, não tenho do que reclamar. Somos, os mineiros, um povo alegre, hospitaleiro que come bem e vai a praia, porque não.

Porém, uma expessão do vocabulário mineirês, tão tradicional e autêntica que passa quase despercebida por todos os que a usam, me deixou numa difícil situação. Me referi a uma bela senhorita na capital federal com o vocábulo mais comum para esta ocasião em Minas - o "sá" - mas a jovem se irritou e quase trocamos tapas.

Ah, As mulheres! sempre elas. A bela dona me cobrou várias explicações e até que expliquei que o inocente vocábulo era uma variação de senhora - como o seu irmão e mais conhecido vocábulo masculino "sô" (de senhor) - e resolvi os problemas de linguagem, comunicação, fui um grande galinha.
Como troca o meu nome assim? Disse enfurecida a moça.
Ainda sem entender respondi o famoso "anh? trocar o quê?"
Me chamou de Sá, meu nome é bem diferente, tá pensando em quem? Disparou a metralhadora de perguntas.

Eu, com uma calma pouco habitual, disse que o mineiro é preguiçoso ao falar. "Cê" para "você", "lidileite, quidicarne, etc". Nós aglutinamos palavras para dizê-las mais rapidamente e economizar tempo. Esse, ao meu ver, é o charme.

Se passaram algumas horas até que finalmente o "sá" foi devidamente compreendido e aceito, mas eu, como bom mineiro precavido que sou, já estou com um pé atras quanto ao uso do dialeto mineirês fora do nosso estado. Vai que mais alguém se aborreça, né? Não sou muito fã da discórdia.