23.9.08

O dia incomum do não escrito



Incomum. Assim foi o dia de ontem. Dia que eu, um jornalista, não consegui me expressar por palavras e me tornei incomunicável, o que, em minha opinião, é quase um assassinato.

Em meio a livros, apostilas – teorias e práticas – não foi possível, numa certa ocasião, tornar palpáveis os pensamentos. Em meio a tantas interpretações - de todas as questões, principalmente de direito constitucional e administrativo – não foi possível transformar idéias em turbilhão num simples texto.

A dialética travou. A livre manifestação do pensamento, direito individual tratado como cláusula pétrea num dos incisos do artigo quinto da Constituição Federal, ficou no papel frio da lei. Não pude valer-me desse direito já que não achei fundamentos para sujar um papel. E ele estava lá, áureo, em minha frente, como se fosse cumprir sua missão, mas não; foi pro lixo sem sequer um rabisco.

O que ocorreu? Falta de inspiração? É possível, e até normal, “acontece nas melhores famílias”. Não deveria ser assim na vida de um jornalista. A arte de lidar com palavras escritas, de sujar papéis com mensagens compreensíveis, coesas – cheias ou não de rebuscamento lingüístico, figuras de linguagens, inversões de períodos, apostos – nunca havia me faltado. A situação que a mim vinha a cabeça era a do homem depois de uma transa ruim, onde o fatídico clichê “isso nunca me ocorreu antes” é inevitável. Pensei até em alguns outros como “senhor, porque me abandonaste?”, mas preferi o tradicional.

A minha comunicação com o mundo se deparou com uma barreira que parecia não ter fim. Retiraram me a arma, voz, palavra, escrita. Me senti um inválido, com todos tendo que expressar minhas vontades, filosofias, pensamentos. Logo eu, que sempre zombei da forma pela facilidade em expressar-me, fazer me entender por conteúdos.

Tiraram me a arma como quem tira as pernas de um maratonista, como quem tira de um médico o saber e a responsabilidade de curar, como quem tira de um professor os alunos e o prazer de ensinar, como quem tira de um compositor a melodia e a arte de tocar, enfim, furtaram me. Como? Quem?

Sempre ouvi, e ainda ouço dos mais velhos da minha família, que a coisa mais importante que eu tenho e que nunca irão me roubar é o conhecimento. Ainda acredito fielmente nisso. Estes livros insanos de direito aqui do meu lado não me deixam mentir. Por isso venho, por meio desta, comunicar que, mesmo no fracasso de um dia incomum, sujo papéis com meras letras e, a priori, com um assunto muito estranho – a falta de assunto virou o próprio tema, metalinguisticamente.

Venho mostrar que burlei a barreira abstrata quase intransponível que me mostrava o “eu incomum, incomunicável” (este “eu” chato, mudo, sem inspiração e inválido) que se apoderou de mim por um momento.

Espero que ele não volte, prefiro minha rotina de pensamentos e ações, palavras, termos, gestos. Prefiro o normal, comum. O incomum é muito danoso, chato. O incomum do atleta, por exemplo, é o ócio; do médico é o não doente; do professor é o não aprendiz e deste pobre mortal que teima em ser jornalista é a não comunicação. E como é bom comunicar, falar de algo, do nada ou mesmo de um fracasso sem precedentes. Esta é a minha potencialidade e é pra isso que eu sirvo.

E que venham mais questões de direito.

11.9.08

11 de setembro, dia instigante para a legislação brasileira



Novo debutante brasileiro, o CDC merece aplausos


Se não sou grande defensor da legislação brasileira, e decididamente não sou, sei que a culpa não é dela, a lei. Nossa constituição atual é cantada em verso e prosa como uma das melhorers do mundo e exêmplo para outras de países bem mais desenvolvidos, como a alemanha, por exemplo.

Como exemplo de bons serviços, a cartilha do procon de Juiz de Fora, MG

A culpa que temos por ser um povo latino, quente e não admitir textos frios, generalistas etc, a culpa de nosso governo que não a aplica em todos os casos, a culpa da desigualdade social e informacional que não possibilita cobranças a este modo, enfim, poderia ficar citando muitos fatores que não nos possibilitam ser, ao menos, parecidos com a Alemanha, quanto a aplicabilidade da legislação. Porém, hoje é um dia de festa para mim. há 18 anos era criado o Código de defesa do Consumidor.


Nunca precisei dele, de seu órgão chefe, o PROCON, mas sei que ele está lá e não consigo nem cogitar a possibilidade de nossa sociedade viver nos dias atuais sem ele. Estava eu debatendo com minha prima enquanto voltávamos do cursinho como seria a vida quando nascemos, época que não existiam os tais direitos do consumidor. Claro que nossa sociedade era diferente outrora, mas não tenho dúvidas da quantidade de Ricardo Eletros e Magazine Luizas que existiam passando a perna na sociedade.

Claro que também tenho noção que podíamos estar bem melhores, mas ai são outros 500, é outra história. O que falo é que se o tal órgão não coíbe totalmente as injustiças provocadas pelas diversas empresas que se interessam com seu próprio lucro em detrimento à população, é um freio natural e uma hipótese, talvez a maior que temos enquanto consumidores, de reclamar de um serviço, produto, entidade e por isso merece apalusos. ainda mais se levarmos em conta que várias leis são criadas e engavetadas em todas as esferas do poder público - ferderal, estadual e, principalmente municipal.

Por isso quero dizer, parabéns Código de Defesa do Consumidor, parabéns Procon, muitas felicidades e muitos anos de vida

11 de setembro, dia instigante para a história mundial

Brasília, 11 de setembro de 2008.


Há sete anos, ocoreu um dos maiores atentados à sociedade capitalista estadounidense desde a segunda guerra mundial. Desse dia em diante todos os professores de história devem atualizar seus conceitos e ensinamentos, o que deve deixar alguns com cabelo em pé. Além de falarem das revoluções francesas, americanas, inconfidência mineira, feudalismo e essas coisas, têm também que falar sobre este dia. 11 /9 mudou a vida de todos, mesmo dos mais alienados dos rincões mais longínquos do planeta. Toda a economia mudou, a política se reformulou em torno das consequencias dos aviões dos amigos do Bin Laden, que atingiram as torres gêmeas e o pentágono, derrubando aquela e destruíndo parte de um bloco deste.


Por um lado a aventura aérea da Al qaeda foi um presente para os políticos americanos, que nem devem ter se machucado com as tantas mortes nos prédios em Nova Yorque. Falo isso embasado na indústria americana, que dava sinais de fraqueza naquele ponto e pôde se revitalizar de uma forma sem precedentes alicerçada na indústria bélica, que atualmente é o setor da economia que mais tem recursos do poder americano, e uma força relevante dentro dele, que precisa ser cotidianamente alimentada para continuar impulsaionando outros ramos da política e da economia deste país, como a crise da aviação (2001-2003) e a recente crise imobiliária.
Como diz o escritor e jornalista José Luiz Teixeira, "Podem escrever aí: seja qual for o candidato a ser eleito agora, Barack Obama ou John MacCain, ele será sempre impelido a declarar guerra. Se não houver motivo, eles criam", simples assim: a guerra é um negoção pra eles, como dizem meus amigos de Divinópolis-MG.


Se por este lado é de fato um negoção, tem seus efeitos colaterais cada dia mais vistos, e mais intransponíveis. A crise imobiliária já citada se deve em parte ao neonazismo que cresce vertiginosamente junto ao tio san. Vários estrangeiros, com medo, retornam às suas pátrias com medo da violência crescente.
Para não ficar pela metade, mesmo não sendo o assunto a ser debatido neste texto, digo que a outra parte desta crise é o aumento dos juros daquele país para controlar a inflação (como ocorre mensalmente por aqui), que gerou grande aumento de dívidas com empresas privadas que, com ajuda do governo, financiavam casas àquela população.


Voltando ao assunto central, os efeitos colaterais não param por ai. Com a desobediência dos EUA às convenções que proibiam guerra - como a ONU, por exêmplo, que não aprovou a guerra do Iraque - a cultura estadounidense já não é bem vinda como antes. Em todas localidades que se tem notícia existem incômodos a americanos. Mesmo nas olimpíadas, que se impediu a população de fazer qualquer coisa que não aplaudir, houve vaias à delegação americana. No esporte, área que eu tenho maior contato, em toda competição o atleta americano é o mais visado com vaias e por ai vai se diluindo mundialmente, pelo menos a priori, a chance que eles tinham e queriam de se tornar a cultura mundial, padrão, do planeta em globalização.


Ainda bem que sou brasileiro e daqui não quero sair para morar, Como bom pacifista e diplomático, da mesma maneira que o jornalista já cidado, quero enaltecer um antigo dito nacional. "Em caso de guerra, mato ou morro. Ou corro para o mato, ou fujo para o morro".