13.12.08

Imprensa de direito versus imprensa de fato (2)

O que nos é passado atualmente?


Nossa Assembléia nacional constituinte, responsável pela elaboração da constituição, vislumbrou, num futuro, que nossa imprensa fosse livre de interesses políticos, quando limitou as possibilidades de donos, livres de toda forma de influência de mercado ou de outros Estados. Quis também que déssemos valor à cultura local, à informação, ao entretenimento, à representatividade e, principalmente, ao interesse público, que não se encontra expresso nessa cópia, mas é o princípio chave de toda atitude da administração pública (artigo 37). Será que, 20 anos depois é isso que ocorre em nossas redações? Das perguntas que fiz, esta é a mais simples de se ter uma resposta. Não, não é isso que ocorre em geral, via de regra.

Convivemos com o contrário de tudo isso, com donos de jornais e revistas sendo políticos - senadores, deputados - vinculando suas editorias a interesses pessoais ou de grandes empresas. Na TV não é diferente.

A padronização empurrada por quase toda a rede aberta - obedecendo ao padrão da Globo sem questionar -, a pasteurização das notícias, nos remete sempre à mesma visão de um determinado fato, maquiando seus interesses particulares na proposta de interesse público. Será que queríamos ver, a todo momento, o caso Isabela Nardoni, o caso Eloá, a operação Satiagraha do Daniel Dantas, não tem nada além disso que possa nos interessar? Quem de nos sabe, ou participa, do agenda setting das mídias? Quem faz alguma pauta pro Jornal Nacional, por exemplo? Quem define o padrão do nosso jornalismo televisivo? Quem seleciona algo que o gate keeping deixa entrar para alguma primeira página de um veículo importante Por isso, vejo que nossa mídia em geral em nada chega ao menos a proximidade do que nossos constituintes propuseram e nos garantiram como direitos. Podemos, como audiência, fazer algo? O que? Contra quem?

Há saídas?


Podemos recorrer de nossos direitos, pelo menos no debate. Em minha discussão com a precoce vestibulanda (discussão esta que deve ter queimado muitos neurônios da pobrezinha para este momento de provas, além de ter a roubado duas noites, mas que rendeu alguns argumentos válidos nessa tarefa nada fácil de querer nossos direitos), pudemos verificar exceções que, mesmo na TV aberta, servem de base para um padrão, digamos, mais dentro do que nos deseja – ou mais, garante – a constituição.

Será que tudo o que queremos é o Jornal Nacional, ou suas cópias com ex-globais das outras tv’s? Será que o padrão globo é mesmo uma escolha inconsciente nossa, dos públicos mais diversos do Globo Rural ao jornal da noite (band), do jornal do SBT ao jornal Hoje?

Acho muito complicado, de fato, mas para que eu possa propor algo, tenho que embasar, fundamentar, minha opinião. Não adianta aqui querer criticar com o discurso fundamentalista do “queimem essas concessões agora!”. Preciso de uma base lógica que levante a proposta de uma nova mídia. Ao invés de vislumbrar, romantizar, criar algo, resolvi me ater a exemplos que, aos poucos, ganham espaço na grande mídia.

Para a escolha destes exemplos, uma também complicada missão. Alguns critérios tiveram que ser contestados. Programas como o “Roda Viva” e outros do excelente jornalismo da TV cultura ficaram de fora. Podemos ter maior tratamento, mais “pegada”. Não é o intuito deles? De fato, não. É bom? Muito, mas ficando repetitivo se torna irritante, chato.

Escolhi algo mais apresentável à grande mídia. São cinco exemplos que servem de pequenos alicerces para nosso recurso: Caco Barcelos e o seu “Profissão Repórter” Serginho Groisman com o “altas Horas” e o “Ação Global” e Tadeu Schmith com participações do esporte em quase todos os jornais da Golbo além do CQC da bandeirantes, que buscou um padrão diferente, mas que discute formas de mudanças em nossa imprensa.

Nenhum comentário: