6.10.08

Sujo

As pessoas que defendem a extinção dos grafites nas paredes da cidade, que defendem a predominância do cinza sobre as cores e formas expostas livremente nos prédios, geralmente argumentam que o grafite, a pichação e demais formas de intervenção urbana poluem visualmente o ambiente. Costumam dizer também que nem todo mundo quer ver arte no dia-a-dia, e quem quiser que vá aos museus.

Não entendo o problema de transformar a cidade em um museu a céu aberto, não entendo que mal o grafite e seus criadores podem causar à sociedade, muito menos entendo o que se passa na cabeça de um político ao mandar apagar grafites como os três abaixo, entendido que "poluição visual" é a ÚLTIMA coisa que tais imagens podem vir a ser.

Estes, assim como vários outros, foram grafitados por seus artistas num espaço público supostamente livre e democrático, provavelmente gastando dinheiro do próprio bolso e, assim como vários outros, foram apagados. (Clique nas fotos pra ir à fonte e seus devidos créditos.)





Enquanto isso, nas VEIAS da cidade de São Paulo, o grafiteiro Zezao mostra onde se encontra a verdadeira poluição da "Cidade Limpa". Como ele disse, "varrer a sujeira pra debaixo do tapete é fácil né? assim o povo não vê".

6 post-scriptum's:

Peterson Espaçoporo disse...

Só não defendo aquelas pixações sem sentido algum com nomes dos autores ou de facções criminosas. Aquilo é tipo, hum, egotrip. Ridículo e sim, é feio.

Mas tirando esses, concordo com você. Olha o ponto em que as pessoas se tornaram robôs pra querer afastar da vida até mesmo a arte. Tá certo que alguns projetos arquitetônicos poderiam ser poupados por ser arte justamente toda a obra, mas em muitos lugares essa argumentação não faz lá muito sentido.

Pablo Pamplona disse...

a pichação política é uma bela forma de protesto. já as tags (pichação de nomes e "gangues"), estas sim são um egotip como vc disse, uma luta territorial, sem propostas artísticas ou políticas. quem picha mais alto, quem picha mais lugares: isso não me agrada. (o grafite às vezes também tem essa luta territorial, mas...)

alguns pichadores dizem que o simples ato de pichação (mesmo sem mensagem clara) é um ato político. pra mim, é um ato desgastado pelo tempo, que só tem imposto mais limites às possibilidades dos outros intervencionistas, já que quando se fala em legalização da arte urbana as pessoas já tendem a torcer o nariz por causa da pichação (como acaba de acontecer).

tem um lado na pichação que sempre me faz contradizer o que acabo de argumentar, mas não cabe citar aqui.

tiagón disse...

Pablo, segue esse link e olha uma polêmica ridícula que vem acontecendo aqui na província:

http://jornalismocomcerveja.wordpress.com/2008/08/29/quer-incomodar-entao-toma-parte-ii/

Pablo Pamplona disse...

(ah, e sobre os projetos arquitetônicos e coisa e tal),
é raro de se ver grafite ou pichação em construções bonitas e/ou bem cuidadas. bem raro mesmo. (pelo menos aqui em são paulo.) e tenho certeza que os moleques que vez ou outra fazem isso devem levar uma bela bronca dos veteranos.

bcardoso disse...

até entendo que queiram apagar aquelas pichações mais corriqueiras, como a do portão cinza da segunda foto. mas não tem nenhum sentido querer pintar esses outros grafites.

isso dá personalidade ao local. eu não consigo sequer imaginar uma São Paulo, por exemplo, livre de grafites e aquelas palavras ininteligíveis (pra mim).

ao invés de apagar, o governo devia até incentivar esse tipo de coisa.

Roberto Sena disse...

Em uma cidade como São Paulo, grafite é muito bem-vindo! Como uma das fotos ilustra, ela dar cor à cidade!