28.7.07

Ainda não descobriram

Crise aérea, difícil situação dos empresários e filhos deles em fazer seus vôos e conexões, seus grandes negócios, como a firma de advogacia inter-estadual que investe na tecnologia da vídeo-conferência como saída para o caos aéreo... Isso tudo é muito triste, pois a segurança e o nome de nosso país fica mal visto no mundo, dólar sobe, risco brasil também, macro economia em queda.

O problema maior de tudo isso nem é a crise, nem os mortos da tam ou da gol, nem o medo de voar nem a macro economia, por mais que tudo isso seja chato.

Num passado recente, bem recente, os dados do DETRAN de mortos em rodovias do nosso país alertava a todos, principalmente aos que não tem condições de pegar vôo em air bus super moderno, aos que encaram com coragem os buracos e falta de sinalizações das pistas, que nunca ouviram antes a palavra "grooving". O problema sempre foi todo dos "pobres diabos" - para citar um texto que nem merecia citação ou referência de um autor boçal -, que morriam aos milhares, e continuam morrendo, nos perigos de nossa malha rodoviária cheia de retalhos.

O discurso de autoridades, sempre macro, sonha em arrumar as rodovias para escoar mais facilmente a produção industrial do país, e vida que segue, com os "pobres diabos" em segundo plano.

Bom, até que o air bus super moderno pode ter contribuído muito na mudança de visão das autoridades. Antes que seja queimado na inquisição, deixe-me explicar. Com o caos aéreo, ganha força nas empresas e famílias influentes e "ricos beatos" (para contradizer o mesmo texto citado acima), o transporte rodoviário. Muitos vão de ônibus para seus destinos, outros de táxis, carros alugados ou de propriedade dos próprios magnatas e agora encaram o que, antes, só era problema dos "pobres diabos".

Quanto ao caos aéreo, todos buscam medidas para melhorar e não colocar em risco a vida de brasileiros. Será que o destino do caos rodoviário terá o mesmo ímpeto, já que mata muito mais e há muito mais tempo? Tomara que autoridades descubram rápido o que é perder vidas em acidentes de carro.

24.7.07

Crianças, por favor, não bebam

Crônica baseada numa matéria do G1
Quer saber mais, todo dia tem atualização do portal G1 do lado direito do blog


Engraçado, um empresário brasileiro deve estar se perguntando por que a vila pan-americana, concentração dos atletas dos 42 países que disputam os jogos no Rio de Janeiro, foi construída logo em frente ao seu posto de gasolina. O que poderia dar mais lucro ao empresário deu-lhe foi uma grande dor de cabeça.
Acontece que o lucro esperado até veio, mas não foi abastecendo os carros e motos de quem visitava a vila, mas sim enchendo os tanques dos "atletas" depois das 23:00 (horário em que a boate pan-ameriana fecha). O prefeito do Rio, Cesar Maia, prometeu ao prefeito da vila, Paulo Laranjeira, que iria tomar atitudes para resolver o problema e logo veio a medida. Por irregularidades na documentação e no alvará, que só foram descobertas agora, já que o posto de 60 funcionários funcionava há bastante tempo, está fechado o estabeleimento até o fim dos jogos, digo, do mês. Sei viu, sem querer defender o empresário, mas acho estranha essa descoberta tão pertinente.
Agora diga, leitor: Você não venderia cerveja pros caras? Que mal o cara fez? Ele não tem nada com isso uai, querem beber, azar.
Acha que é só no palácio do planalto que tem cachaceiro, só no Brasil? Que nada, os caras vêm de longe para encher a cara no nosso país e ainda prejudicam o vendedor, que não é atleta e nem pai de nenhum competidor, mas deve pensar em colocar a faixa em seu local de trabalho (e de outros tantos pais de família) com os dizeres em três idiomas: Crianças, não bebam depois das 23.

21.7.07

Novidades no Incêndio

Atenção a todos os visitantes do Incêndio Acidental, para mais uma novidade a partir de agora neste blog. Além de textos, imagens e vídeos, que nos posicionam diante de algum acontecimento, o Incêndio Acidental queima também leituras específicas em outros blogs e notícias em tempo real sobre política, brasil e esportes (apresentadas na barra lateral do blog). Além disso, um balanço com crônicas e opiniões trará a tona, a fogueira, assuntos mais relevantes dentre toda a informação contida nesses espaços.
Boa leitura a todos

11.7.07

esquenta a fogueira


Leitores, ao invés de um texto meu, vou provocar uma fogueira maior, a discussão religiosa se dará através do próprio documento do vaticano, boa leitura a todos.

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

RESPOSTAS A QUESTÕES RELATIVAS A ALGUNS ASPECTOS
DA DOUTRINA SOBRE A IGREJA

INTRODUÇÃO

É de todos conhecida a importância que teve o Concílio Vaticano II para um conhecimento mais profundo da eclesiologia católica, quer com a Constituição dogmática Lumen gentium, quer com os Decretos sobre o Ecumenismo (Unitatis redintegratio) e sobre as Igrejas Orientais (Orientalium Ecclesiarum). Muito oportunamente, também os Sumos Pontífices acharam por bem aprofundar a questão, atendendo sobretudo à sua aplicação concreta: assim, Paulo VI com a Carta encíclica Ecclesiam suam (1964) e João Paulo II com a Carta encíclica Ut unum sint (1995).

O sucessivo trabalho dos teólogos, tendente a ilustrar com maior profundidade os múltiplos aspectos da eclesiosologia, levou à produção de uma vasta literatura na matéria. Mas, se o tema se revelou deveras fecundo, foi também necessário proceder a algumas chamadas de atenção e esclarecimentos, como aconteceu com a Declaração Mysterium Ecclesiae (1973), a Carta aos Bispos da Igreja Católica Communionis notio (1992) e a Declaração Dominus Iesus (2000), todas elas promulgadas pela Congregação para a Doutrina da Fé.

A complexidade estrutural do tema, bem como a novidade de muitas afirmações, continuam a alimentar a reflexão teológica, nem sempre imune de desvios geradores de dúvidas, a que esta Congregação tem prestado solícita atenção. Daí que, tendo presente a doutrina íntegra e global sobre a Igreja, entendeu ela dar com clareza a genuína interpretação de algumas afirmações eclesiológicas do Magistério, por forma a que o correcto debate teológico não seja induzido em erro, por motivos de ambiguidade.

RESPOSTAS ÀS QUESTÕES

Primeira questão: Terá o Concílio Ecuménico Vaticano II modificado a precedente doutrina sobre a Igreja?

Resposta: O Concílio Ecuménico Vaticano II não quis modificar essa doutrina nem se deve afirmar que a tenha mudado; apenas quis desenvolvê-la, aprofundá-la e expô-la com maior fecundidade.

Foi quanto João XXIII claramente afirmou no início do Concílio. Paulo VI repetiu-o e assim se exprimiu no acto de promulgação da Constituição Lumen gentium: "Não pode haver melhor comentário para esta promulgação do que afirmar que, com ela, a doutrina transmitida não se modifica minimamente. O que Cristo quer, também nós o queremos. O que era, manteve-se. O que a Igreja ensinou durante séculos, também nós o ensinamos. Só que o que antes era perceptível apenas a nível de vida, agora também se exprime claramente a nível de doutrina; o que até agora era objecto de reflexão, de debate e, em parte, até de controvérsia, agora tem uma formulação doutrinal segura". Também os Bispos repetidamente manifestaram e seguiram essa mesma intenção.

Segunda questão: Como deve entender-se a afirmação de que a Igreja de Cristo subsiste na Igreja católica?

Resposta: Cristo "constituiu sobre a terra" uma única Igreja e instituiu-a como "grupo visível e comunidade espiritual", que desde a sua origem e no curso da história sempre existe e existirá, e na qual só permaneceram e permanecerão todos os elementos por Ele instituídos. "Esta é a única Igreja de Cristo, que no Símbolo professamos como sendo una, santa, católica e apostólica. Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele".

Na Constituição dogmática Lumen gentium, subsistência é esta perene continuidade histórica e a permanência de todos os elementos instituídos por Cristo na Igreja católica, na qual concretamente se encontra a Igreja de Cristo sobre esta terra.

Enquanto, segundo a doutrina católica, é correcto afirmar que, nas Igrejas e nas comunidades eclesiais ainda não em plena comunhão com a Igreja católica, a Igreja de Cristo é presente e operante através dos elementos de santificação e de verdade nelas existentes, já a palavra "subsiste" só pode ser atribuída exclusivamente à única Igreja católica, uma vez que precisamente se refere à nota da unidade professada nos símbolos da fé (Creio… na Igreja "una"), subsistindo esta Igreja "una" na Igreja católica.

Terceira questão: Porque se usa a expressão "subsiste na", e não simplesmente a forma verbal "é"?

Resposta: O uso desta expressão, que indica a plena identidade da Igreja de Cristo com a Igreja católica, não altera a doutrina sobre Igreja; encontra, todavia, a sua razão de verdade no facto de exprimir mais claramente como, fora do seu corpo, se encontram "diversos elementos de santificação e de verdade", "que, sendo dons próprios da Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica".

"Por isso, as próprias Igrejas e Comunidades separadas, embora pensemos que têm faltas, não se pode dizer que não tenham peso ou sejam vazias de significado no mistério da salvação, já que o Espírito se não recusa a servir-se delas como de instrumentos de salvação, cujo valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja católica".

Quarta questão: Porque é que o Concílio Ecuménico Vaticano II dá o nome de "Igrejas" às Igrejas orientais separadas da plena comunhão com a Igreja católica?

Resposta: O Concílio quis aceitar o uso tradicional do nome. "Como estas Igrejas, embora separadas, têm verdadeiros sacramentos e sobretudo, em virtude da sucessão apostólica, o Sacerdócio e a Eucaristia, por meio dos quais continuam ainda unidas a nós por estreitíssimos vínculos", merecem o título de "Igrejas particulares ou locais", e são chamadas Igrejas irmãs das Igrejas particulares católicas.

"Por isso, pela celebração da Eucaristia do Senhor em cada uma destas Igrejas, a Igreja de Deus é edificada e cresce". Como porém a comunhão com a Igreja católica, cuja Cabeça visível é o Bispo de Roma e Sucessor de Pedro, não é um complemento extrínseco qualquer da Igreja particular, mas um dos seus princípios constitutivos internos, a condição de Igreja particular, de que gozam essas venerandas Comunidades cristãs, é de certo modo lacunosa.

Por outro lado, a plenitude da catolicidade própria da Igreja, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele, encontra na divisão dos cristãos um obstáculo à sua realização plena na história.

Quinta questão: Por que razão os textos do Concílio e do subsequente Magistério não atribuem o título de "Igreja" às comunidades cristãs nascidas da Reforma do século XVI?

Resposta: Porque, segundo a doutrina católica, tais comunidades não têm a sucessão apostólica no sacramento da Ordem e, por isso, estão privadas de um elemento essencial constitutivo da Igreja. Ditas comunidades eclesiais que, sobretudo pela falta do sacerdócio sacramental, não conservam a genuína e íntegra substância do Mistério eucarístico, não podem, segundo a doutrina católica, ser chamadas "Igrejas" em sentido próprio.

O Santo Padre Bento XVI, na Audiência concedida ao abaixo-assinado Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ratificou e confirmou estas Respostas, decididas na Sessão ordinária desta Congregação, mandando que sejam publicadas.

Roma, Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 29 de Junho de 2007, Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo.

William Cardeal Levada
Prefeito

Angelo Amato, SDB,
Arcebispo tit. de Sila
Secretário

pensamento das férias

Depois de a Igreja católica soltar um doumento que diz que são os únicos plenamente cristãos e causar o maior reboliço com outros religiosos, ortodóxos, protestantes, jesuítas, acho que uma certa cruz merece pegar fogo também né leitor, ou será que só o alemão ex militar de guerra que virou papa que vem pra fogueira?
longe de mim querer ser inquisição...
o que posso fazer é escrever uma crõnica, aguardem.

9.7.07

O poder dos travesseiros irá dominar o mundo

Na primeira postagem de Travis, eu e o Pablo iniciamos uma discussão sobre o poder dos traveseiros na sociedade pós-moderna.
pois é, por mais surreal que isso possa parecer, eles estão dominando.
Quem acompanha a Copa América de Futebol sabe o que estou falando. Depois da vitória de 4x0 da Argentina sobre o Peru, na entrevista coletiva, o treinador da equipe argentina, Alfio Basilie, perguntado sobre a escalação do seu time na próxima partida, contra o México, disse que iria perguntar para tua "almofada", palavra que designa travesseiro em espanhol.
O travesseiro do cara ja escala a seleção de futebol da Argentina, imagina se a moda pega. Será que temos o bush e o bin laden dos travesseiros também?

5.7.07

Enfia o decoro no...

texto de PIPO, no endereço www.osmelhoresdomundo.com/blog/blog.cfm

Me causa espécie, para não dizer asco, assistir Senadores sentindo-se no direito de julgar um colega por quebra de decoro, afirmando que analisarão o mérito da prova, sendo que não são capazes de analisar sequer se é dia ou noite no Brasil. No entanto, fazem papel de juízes, advogados e polícia, sendo que para os três cargos citados exige-se um mínimo de estudo, conhecimento e... decoro, ao contrário do cargo que exercem. No dicionário, decoro significa recato no comportamento, decência, acatamento das normas morais, dignidade, honradez, pundonor, seriedade nas maneiras, compostura, postura requerida para exercer qualquer cargo ou função pública. Ou seja, no caso de Renan Calheiros (filho fora do casamento, favores de empreiteiros e sonegação fiscal) o decoro já foi quebrado, independentemente da origem do dinheiro empregado no pagamento da pensão à sua amante, que até agora ninguém da imprensa nominou assim, como deve ser: amante. Não é necessária a criação de uma CPI para saber que o decoro já foi pro beleléu. O mesmo se aplica no caso do Senador Joaquim Roriz. O ex-governador do Distrito Federal, na disputa ao Senado, declarou patrimônio de R$ 4.489.278,85. A maior parte desse valor vem da posse de 6.227 cabeças de gado bovino, avaliadas em R$ 2,85 milhões. Roriz também declara a propriedade de 662,7419 ha em imóveis rurais. Mas faltou-lhe, em março deste ano, crédito para a compra de uma bezerra por 271 mil reais e o pobre Roriz teve de apelar à um empréstimo. O favor de sacar o cheque foi feito por um ex-comparsa do Banco Regional de Brasília, preso pela Polícia Civil por lavagem de dinheiro. Cadê o decoro? Foi pro saco! Foi pra vala comum do meu Brasil brasileiro! Agora vamos, eu e você leitor, sozinhos, sem a ajuda de uma comissão, sem a ajuda de assessores, analisar o caso do Deputado Distrital Pedro Passos. Aquela voz nos telefonemas gravados pela Polícia Federal é dele? Em caso afirmativo, o decoro está quebrado e tchau Deputado, até mais, passar bem! Foi difícil? Para mim, nem um pouco. Mas o que assistimos diariamente são os iguais do Pedro Passos cozinhando a opinião pública como se precisasse de fato apurar algo em um processo por quebra de decoro. Bastaria perguntar: Senhor Deputado Pedro Passos, você conversou com o senhor Zuleido Veras sobre emendas para as obras tocadas pela empreiteira dele? Sim? É o suficiente. Tchau, Pedro, volte daqui a oito anos, nos braços do povo que seja, mas saia agora! Fora! E certamente Pedro voltaria ovacionado pelos eleitores, porque brasileiro tolera tudo, menos combinar voto no Big Brother. Ah, Isso não!

4.7.07

A FOME


(Por: Marcelo de Oliveira Souza)

A fome não tem número
A fome não tem cara,
A fome não se esconde
A fome fala...

A fome fala pelo estômago
A fome maltrata,
A fome destrata
A fome despreza.

A fome se expande
A fome constante,
A fome animal
A fome torna mau.

A fome bate ao lado
A fome que isola o desocupado,
A fome é a culpada!
A fome nos combate.

A fome bate
A fome sem igual,
A fome que controla o voto
A fome diária...

A fome de ontem
A fome de hoje,
A fome de amanhã e sempre
Quando derrotaremos este monstro ?

1.7.07

Sobre a verdade

o que é verdade?

O que é a verdade? O dicionário (Aurélio) nos diz que verdade é “conformidade com o real”. Complicado isso, já que determinar o que é ou não “real” não é trivial. O que é real para uns, por exemplo, anjos, fadas e duendes, pode não ser para outros. Segundo essa definição, para determinar o que é verdadeiro, temos que conhecer bem a realidade.
E como fazer isso? Como distinguir, além da subjetividade humana, o que é real ou não? Esse é o problema, separar fato de opinião, o que é real “de verdade” do que é apenas fruto de uma visão pessoal ou de crenças de um grupo de pessoas.
Se tudo o que fazemos está ligado de um modo ou outro a quem somos, como, então, definir o que é verdade?
Uma possibilidade é estabelecer categorias de verdade. No topo, ficam as verdades absolutas, que transcendem o elemento humano.
Elas independem de opinião, de afiliação partidária, de religião, de contexto histórico ou de geografia. São as verdades matemáticas, as que podem ser afirmadas categoricamente como, por exemplo: 2 + 2 = 4. Essa afirmação, uma vez compreendidos os símbolos, é tida como verdadeira.
Ela é verdadeira para nós, para os monges de um monastério no Tibet, para sacerdotes egípcios que viveram há quatro mil anos, ou para supostas inteligências alienígenas que existam pelo cosmo afora. Como esta, existem muitas outras, baseadas em asserções matemáticas que dependem da percepção de objetos no mundo.
Se vemos uma pedra podemos associar uma unidade a ela (“uma” pedra). Se vemos uma podemos ver mais de uma e, com isso, construir uma aritmética. São muito úteis essas verdades matemáticas, mas menos interessantes. Não que a matemática pura seja pouco interessante, pelo contrário.
Existem complicações mesmo nela, inclusive ao nível mais elementar. [...] Mas, por serem verdades absolutas e, portanto, longe da confusa realidade humana, não dão muito espaço para a polêmica.
A coisa fica complicada quando se discute, por exemplo, a realidade física. O Universo, ou melhor, nossa concepção dele, mudou muito nos últimos 500 anos. Para uma pessoa da Renascença, antes de Nicolau Copérnico (1473-1543), o cosmo era finito, com a Terra imóvel no centro. O céu, a morada de Deus, ficava além da esfera das estrelas fixas. Era ela que marcava o fim do espaço.
Após Copérnico e, principalmente, após Johannes Kepler (1571-1630) e Galileu Galilei (1564-1642) nas primeiras décadas do século 17, o Sol passou a ser o centro do cosmo e a Terra um mero planeta. O que era “verdade” para alguém de 1520 não era para alguém de 1650.
E o universo em que vivemos hoje, gigantesco, com centenas de bilhões de galáxias se afastando uma das outras, é completamente diferente do de uma pessoa de 1650. Qual dessas várias cosmologias é verdadeira?
Todas e nenhuma delas. Se definimos como verdade o que construímos com o conhecimento científico que detemos num determinado momento, todas essas versões são verdadeiras. Mas nenhuma delas é a verdade.
Dado que jamais poderemos medir com absoluta precisão todas as facetas do cosmo e da Natureza, é essencialmente impossível obter uma versão absoluta do que seja a realidade física. Conseqüentemente, a ciência jamais poderá encontrar a verdade.
O que podemos fazer — e o fazemos maravilhosamente bem — é usar nossa razão e nossos instrumentos para nos aproximar cada vez mais dessa verdade intangível. É essa limitação que enobrece a ciência, dando-lhe sua dimensão humana.


Este texto foi utilizado na Prova de seleção do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e é uma adaptação da coluna de Marcelo Gleiser na Folha de S.Paulo de 15 abril.