31.5.07

Ainda não se trata de peças de museu

Produto impresso deve ser repensado, mas não descartado

por Marcelo de Freitas

Poderia ser mais uma notícia na página policial. A morte do produto impresso, porém é bem mais ampla do que tantas outras anunciadas nos veículos de comunicação. Trata-se de fomentar discussões sobre o papel da mídia, e do próprio jornalismo, com o advento e a massificação da Internet.

Dinamismo é a palavra da vez, pressa e precisão nunca foram tão aliadas. Com a revolução dos sistemas da mídia virtual chegamos a um novo patamar de revolução, ou seria evolução, industrial. Desta vez o conhecimento ultrapassa as barreiras dos laboratórios, escritórios, ultrapassa todas as barreiras físicas e chega a um grupo de pessoas infinitamente superior, e com a característica marcante do “ao vivo”, “em tempo real”.

Como em toda revolução, conceitos são repensados, tarefa não muito fácil quando o assunto tratado é a internet e o relacionamento dos mais diversificados públicos com estes veículos. Repensar conceitos, “verdades absolutas” é o que fez o homem se desenvolver, adquirir infra-estrutura e condições de sobrevivência em sociedade. Porém esta capacidade humana de rever também encaminha a espécie para a dúvida, a dialética, pressiona a humanidade contra um terreno pantanoso onde o direito de escolha, reflexão é o que difere os que seguem e os que atolam.

Retornando à história, percebe-se uma situação parecida no advento da TV. O confronto do novo com o obsoleto é sempre constante, não só em produtos, mas com costumes e com a própria vida humana. No passado o rádio - que já teve seus anos áureos e foi condenado por muitos à extinção - se repensou, estabeleceu novas formas de produção, de ideologias e atualmente compete, num público local, em condições de igualdade com a TV. É o que precisa ser feito com a mídia impressa. O obstáculo físico, por mais infra-estrutura que tiver o veículo, nunca vai dar condições de competição com o virtual, o instantâneo.

A mídia impressa, assim como a sociedade de maneira geral, chegou num dos pontos de dúvida. Doravante o questionamento do “know-how” deverá ser revisto. Repensar as condições de se viver, e – voltando à mídia impressa – de continuar existindo como veículo de difusão de opiniões é a condição de travessia deste pântano. Estagnar, continuar, alimentar o formato existente, é alongar mais o sofrimento e a morte do obsoleto diante do novo.

Dentro da vasta lista de alternativas para o fortalecimento da mídia impressa, uma já é conhecida e muito utilizada por grandes corporações, que possuem publicações diárias e semanais. A utilização da grande rede como forma de alastrar, difundir opiniões e atribuir o conhecimento ao nome da empresa comunicacional. Portais de internet são grandes armas da mídia impressa. Bem usadas podem ser o atestado de sobrevivência dos impressos em geral.

Outras dúvidas, a partir deste caminho, assombram a continuidade do impresso:

O que publicar na internet? A mesma coisa do impresso? Será que, a exemplo do rádio, chegou a hora do impresso se repensar e estabelecer novos padrões, ou despadronizar?

Um exemplo claro das potencialidades do impresso diante desta dúvida é o livro, que também corre riscos com o desenvolvimento e a difusão do conhecimento on-line.

Do livro, poucos suscitam a possibilidade de extinção. O papel do livro impresso na sociedade também está em xeque mas poucos debatem. Isso se deve a certeza de que a publicação impressa irá continuar com toda sua potencialidade e aceitação. Certeza que também têm, tinham, os jornalistas quanto ao jornal de papel.

O conhecimento é diverso, e todos devem ter acesso, mas deve ser repensado cotidianamente, assim como o modo de transmissão desses conhecimentos. Mídia impressa, rádio, livros, internet, e a mídia em geral devem ser pensados cotidianamente.

8.5.07

sugestão de filme


neste fim de semana prolongado um filme me chamou a atenção. Ainda não foi o Homem Aranha 3 que levou vários mortais ao cinema.
O Plano Perfeito conta a história de um assalto a banco em Nova Yorque. a história é muito bem contada e o expectador é forçado a interagir constantemente com os personagens, assim como em outros grandes filmes como Jogos Mortais ou Blow Up.
o expectador constrói a historia simultaneamente com as descobertas do detetive, negro, outro fato bacana do fime.
gostei muito do filme, muito inteligente. Fica a sugestão

7.5.07

Entender é complicado, e talvez desnecessário

Travis, o travesseiro confidente

a partir desta semana, meu travesseiro assinará sua própria coluna neste blog.
Isto porque ele está de saco cheio de poder se comunicar comigo, entender este mundo e não vislumbrar alternativas para ele.


Eu não nasci neste mundo, não pertenço a esse conjunto de leis, códigos criados para a sociabilização do homem. De onde eu venho tudo é mais simples e restrito, a comunicação não existe.

Por vontade do meu dono, eu aprendi essa coisa louca do que os habitantes da terra chamam de linguagem, já que de onde eu venho, a única coisa que precisamos é aturar o peso da cabeça das pessoas, aqui podemos ser gordos, acho que as pessoas gostam mais.

Já pedi ordenados extras ao Marcelo de Freitas, meu dono, pois além da baba e do peso da cabeça doida dele, tenho que aconselhá-lo e entendê-lo. Elaboramos uma linguagem que, por mais surreal que pareça, nos possibilita a troca de informações, o que é ótimo, visto que aprendo outra cultura, infinitamente maior do que a minha, mas as nêuras e psicoses do cotidiano humano são complicadas de entender.

Um pequeno exemplo do que digo é o da constante "rotularização" do mundo humano. Tudo bem que os que bebem na fonte da semiótica dirão que tudo é simbólico, icônico, ou que para todas as coisas temos a imagem de uma representação simbólica das próprias coisas. Tá bom, muito teórico pra mim, que nem cabeça tenho. Não é disso especificamente que eu falo. O que digo é que para a sociabilização, é preciso que se prove sempre, não há como escapar dos estereótipos, o que pode ser bom quando falamos de beleza ou de crescimento profissional, ou de status tipo: Sou jornalista, ou então, fulana de tal é linda ou a socialyte beltrana. Isso abre várias portas, mas minha análise é que apenas alimentam um sistema vigente, de dominação do belo, mesmo quando este é o inútil. Doenças são criadas e perigosamente alimentadas pela busca incessante do padrão ideal a sobrevivência no sistema vigente.

É complicado perceber que neste mundo, o negro é diferente, a mulher, o gordo, o magro, nada disso parece ser apenas detalhes, tudo é reparado com grandes prejuízos ao humano, no serviço, na sociabilização com os outros, enfim, parece que o sistema consolidou uma nova "raça ariana", melhor do que as outras pela simples caraterística, inata, da padronização, o que torna o mundo a cada dia mais burro, tapado a novos modos de pensar e de se analisar os problemas.

O desperdício de experiências, virtudes, transforma a sociedade "ariana" em cavalos que só enchergam pra frente, mas com tanto desenvolvimentismo, não só econômico, mas político, social, financeiro, é necessário olhar cada vez mais para os lados.

A última vez que tentaram padronizar ao redor de uma raça e um ideal, chegamos num dos pontos mais trágicos da convivência social no planeta, é isso que os homens querem?

Quem pode entender.