22.11.07

Professores, policiais e motoristas de ônibus

A princípio nada tem a ver estas três profissões, mas numa discussão com meu grande amigo Boruno fiz uma alusão a casos de alguma semelhança.


Não vou falar de violência, como no sequestro do ônibus linha 174 no Rio de Janeiro, que, por erro da polícia, uma professora morreu e causou comoção nacional.

Quero falar de pagamentos, salários. Quanto as duas primeiras classes, sempre se vê na mídia algo de mobilização sindical para aumento de salários para as profissões, de tamanha importância para a sociedade. No caso dos acadêmicos, são pelo menos quatro anos de estudo para um curso superior que capacite o profissional a dar aulas, não acredito que o profissional formado não saiba das injustiças sociais que a classe é vítima. Resumindo, o profissional formado sabe que em muitas das vezes vai entrar numa fria e receber pouco por isso. O outro caso, que não pode ser descartado é que muitos professores perderam de cara o jogo para a injustiça social e não tiveram chance de fazer um curso superior. Nem por isso são menos dedicados ao aprendizado dos alunos. Quero chegar num ponto crucial, relativizar os efeitos da ideologia pessoal, do dom. Se não todos, a maioria do docente brasileiro sabe o terreno pantanoso que está pisando, e mesmo assim pisa.

Quanto aos policiais, pior. Como disse no início, não é raro ver greves e paralizações por melhores salários e condições de trabalho, mesmo asim muitos se espremem em filas quando sai concurso público da PM. todos querem a comodidade de um emprego público, o fato de se ter um segurança maior em não ser demitido é realmente tentador. Mas o salário e as condições de trabalho; bem, acho que não preciso falar nada. Aqui também as pessoas sabem onde colocam o bedelho, e mesmo assim colocam.

Isso tira o direito que ambos têm de reivindicar melhores condições? Absolutamente não, mas a luta é bem maior para uma vida justa e digna, e não dá pra ficar só reclamando da vida. Acredito no dom de profissionais, tanto de bons professores quanto de bons policiais.

E o que tem o motorista de ônibus a ver? calma gente, ewu ainda não estou tão doido.
Aqui na minha doce e pacata divinóia tambem não é raro vermos o sindicato dos trabalhadores em transporte rodoviario de Divinópolis (SINTTRODIV) querendo aumento e melhores condições.

A diferença crucial é que agora os motoristas se rebelaram contra a principal empresa da cidade. É muito raro ver novas admissões de quem tem carteira D ou E. A empresa ja apelou para os sem experiência, mas nem assim aparecem. Falta condutores e os que trabalham frequentemente fazem hora extra, até dobram o turno, pois dá pra faturar mais.

A conclusão que tiro disso é que a inocência não existe mais, todos sabem o que querem e fazem escolhas para tentar atingir, mas o sistema reprime. Aprendi, em meus caminhos, e agora com os motoristas de ônibus que nem tudo é bosta, que dá pra criar armas contra a repressão. Aposto que os patrões ja querem rever o que foi negado no passado, afinal quem dirige a empresa, literalmente, são os motoristas (e isso é igual em quase toda profissão).

Um comentário:

Pablo Pamplona disse...

Não estou tão ligado no que acontece em Divinópolis, mas que bom que alguém está se mechendo! Sempre que haviam greves dos trabalhadores da Trancid, era armação da diretoria, pra aumentar a passagem - pelo jeito, dessa vez não é o caso.

Pessoal fica falando que brasileiro é burro, ignorante, preguiçoso... discordo. Quando ele realmente quer algo, como você disse, luta por isso! O que falta mesmo, é instrução... conhecer os direitos e saber que quem manda nessa p* somos nós, já é um grande passo!