7.9.07

Independência? Qual?

ta todo mundo de piada comigo não é? do que estão falando?

Aconteceu hoje, sexta feira sete de setembro, em todo o país, uma das piores datas a serem comemoradas em um ano a meu ver. O dia da independência.
Marcado por desfiles em todo o Brasil, sendo que, na capital Brasília, cerca de sete mil pessoas na Esplanada dos Ministérios e um público de mais de trinta mil heróis fizeram o evento. O desfile começou com uma ausência sentida, a do presidente do senado, Renan Calheiros, envolvido em vários escândalos no último ano. Renan não deve mesmo ter muito o que comemorar, nem eu, mas vamos deixar discussões partidárias para outra ocasião "menos importante". Como disse, tirando o fato de termos um feriado prolongado, não vejo nada a ser comemorado nesta data. Veja todos os detalhes da "festa".
Para iniciar o assunto, falemos um pouco de história. O ato libertário do então imperador Dom Pedro I - discutível, mas também não vem ao caso -, fez com que uma grande teia de acontecimentos desse origem a mais um país no mapa mundi. Porém, a meu ver, um país que se orgulha de ser livre desde aquela época (como pode ser visto no artigo primeiro da primeira constituição do Brasil "O Império do Brasil é a associação política de todos os cidadãos brasileiros. Eles formam uma Nação livre e independente, que não admite com qualquer outra laço algum de união ou federação, que se oponha à sua independência." (sic.)) tem que exercer, promover e agir de forma livre, como nos recentes exemplos do Brasil ao declarar sua auto suficiência na produção de petróleo, deixando de se dirigir por interferências dos mercados produtores do ouro preto, ou em pagar totalmente a dívida com o FMI - Fundo Monetário Internacional - que também regulava vários setores de nossa política, principalmente econômica.
Quando não agimos de forma a concretizar a proposta de Dom Pedro, a soberania nacional, liberdade política, como na maioria das vezes, sofremos várias restrições de outras políticas, de outros povos e outras culturas que também buscam cotidianamente a liberdade. Dentro deste aspecto a discussão proposta é: O que seria a independência, soberania nacional?
Numa época onde a miscigenação em todos os aspectos é indiscutível, onde debatemos fenômenos como a globalização, fica um pouco mais complicado achar nosso objeto de debate, mesmo se tratando de políticas nacionais ou econômicas, que só deveriam ser interessantes para o país, como diz a constituição. Porém, num contexto de competição acirrada - principalmente no comércio -, saber fiscalizar o que um outro país faz é estratégia quase indispensável a todos.
Isto, falando em proporções macro, reflete cotidianamente na questão individual, micro. A economia da ampla maioria do globo é regida por ações transnacionais, o capital, que não tem fronteiras, tem poder em todo o mundo, ações na bolsa de NY, maior do mundo, interferem na política nacional em exemplos como reunião mensal do COPOM - Conselho de Política Monetária -, que, dentre outras coisas, calcula a taxa de juros do país e a cotação da moeda nacional, real, em relação ao resto do mundo. Como se falar em soberania ou liberdade nacional?
Com que cara todos comemoram a independência se, em escala macro ou micro estamos sempre presos, mais e mais às rédeas de um sistema global?
Não quero aqui levantar a polêmica de sistemas, mesmo fazendo críticas severas ao Capitalismo, não tenho razões para acreditar que seria diferente no Socialismo ou em qualquer outra coisa que estivesse em vigor no planeta.
Só quero saber o que estão comemorando para me alegrar também. Se o fato de sermos livres e soberanos é lógico e indiscutível pra tanta gente por que me causa tanta revolta e tantos questionamentos?

Um comentário:

TIDUS disse...

TÁ... CONCORDO, OU NAO...
VOU COLOCAR UM PANO MOLHADO NA TESTA... PRA ABAIXAR A FEBRE.