15.8.07

Lá o buraco é mais embaixo

Caso de influência nos resultados de partidas da NBA é exemplarmente punido.

Crônica baseada numa matéria do G1

Criticar a xenofobia, ou a política norte americana, digo, estadunidense, é uma das coisas que mais faço quando entro em debates sobre a situação global e a influência dos EUA no mundo, mas tenho, às vezes, inveja daquele povo do norte.

Tenho que dar a mão à palmatória quando o assunto é punição. O leitor deste blog que também curte esportes, principalmente futebol, vai entender perfeitamente do que estou falando, e talvez até concordar comigo.

Em 2005, um escândalo envolvendo um dos melhores árbitros brasileiros, o sr Edilson Pereira de Carvalho - réu confesso de influenciar o resultado de sete partidas apitadas por ele e participar de uma banca de apostas - terminou com a anulação dos jogos no Campeonato Brasileiro, vencido pelo Corinthians.

O ex árbitro tupiniquim ficou alguns dias na cadeia e foi banido do futebol, não teve que pagar nada e vive solto e feliz curtindo as maravilhas do Brasil.

Esta semana, um esquema parecido foi desbaratado nos EUA, envolvendo um juiz de primeira linha da NBA - liga profissonal de basquete do país.

O ex-árbitro da NBA Tim Donaghy foi julgado culpado por dois crimes ligados à liga americana de basquete, pela juíza Carol Bagley Amon, da US District Court, nesta quarta-feira. Donaghy responde por fazer parte de um esquema de fraude contra a NBA, crime pelo qual pode pegar até 20 anos de prisão, e por estar metido em apostas na NBA, inclusive em jogos que ele mesmo apitou, o que acumularia mais cinco anos à pena. Ao todo, Tim Donaghy deverá pagar U$ 500 mil em multas, o equivalente a cerca de R$ 1 milhão, e U$ 30 mil em restituição, cerca de R$ 60 mil, diz a matéria da Globo.

Então leitores, reparem as coincidências: o basquete lá é o mesmo que o futebol aqui, os crimes são muito parecidos, mas olha o tratamento dado ao caso num e no outro país! É ou não é substancial a diferença?

Muitos teóricos, como o cientista político estadunidense Stuart Gilman, chefe do programa global de combate à corrupção da ONU, defendem a tese de que a corrupção está intimamente ligada à impunidade, tese que eu, em minha humildade e insignificância, concordo.

Temos que rever em âmbito nacional nosso relacionamento com a questão penal, burocrática e política para tentar melhorar nossa condição de obter justiça, não só em práticas esportivas, como o caso citado, mas na vida social.

vs.

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