5.7.07

Enfia o decoro no...

texto de PIPO, no endereço www.osmelhoresdomundo.com/blog/blog.cfm

Me causa espécie, para não dizer asco, assistir Senadores sentindo-se no direito de julgar um colega por quebra de decoro, afirmando que analisarão o mérito da prova, sendo que não são capazes de analisar sequer se é dia ou noite no Brasil. No entanto, fazem papel de juízes, advogados e polícia, sendo que para os três cargos citados exige-se um mínimo de estudo, conhecimento e... decoro, ao contrário do cargo que exercem. No dicionário, decoro significa recato no comportamento, decência, acatamento das normas morais, dignidade, honradez, pundonor, seriedade nas maneiras, compostura, postura requerida para exercer qualquer cargo ou função pública. Ou seja, no caso de Renan Calheiros (filho fora do casamento, favores de empreiteiros e sonegação fiscal) o decoro já foi quebrado, independentemente da origem do dinheiro empregado no pagamento da pensão à sua amante, que até agora ninguém da imprensa nominou assim, como deve ser: amante. Não é necessária a criação de uma CPI para saber que o decoro já foi pro beleléu. O mesmo se aplica no caso do Senador Joaquim Roriz. O ex-governador do Distrito Federal, na disputa ao Senado, declarou patrimônio de R$ 4.489.278,85. A maior parte desse valor vem da posse de 6.227 cabeças de gado bovino, avaliadas em R$ 2,85 milhões. Roriz também declara a propriedade de 662,7419 ha em imóveis rurais. Mas faltou-lhe, em março deste ano, crédito para a compra de uma bezerra por 271 mil reais e o pobre Roriz teve de apelar à um empréstimo. O favor de sacar o cheque foi feito por um ex-comparsa do Banco Regional de Brasília, preso pela Polícia Civil por lavagem de dinheiro. Cadê o decoro? Foi pro saco! Foi pra vala comum do meu Brasil brasileiro! Agora vamos, eu e você leitor, sozinhos, sem a ajuda de uma comissão, sem a ajuda de assessores, analisar o caso do Deputado Distrital Pedro Passos. Aquela voz nos telefonemas gravados pela Polícia Federal é dele? Em caso afirmativo, o decoro está quebrado e tchau Deputado, até mais, passar bem! Foi difícil? Para mim, nem um pouco. Mas o que assistimos diariamente são os iguais do Pedro Passos cozinhando a opinião pública como se precisasse de fato apurar algo em um processo por quebra de decoro. Bastaria perguntar: Senhor Deputado Pedro Passos, você conversou com o senhor Zuleido Veras sobre emendas para as obras tocadas pela empreiteira dele? Sim? É o suficiente. Tchau, Pedro, volte daqui a oito anos, nos braços do povo que seja, mas saia agora! Fora! E certamente Pedro voltaria ovacionado pelos eleitores, porque brasileiro tolera tudo, menos combinar voto no Big Brother. Ah, Isso não!

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