7.5.07

Entender é complicado, e talvez desnecessário

Travis, o travesseiro confidente

a partir desta semana, meu travesseiro assinará sua própria coluna neste blog.
Isto porque ele está de saco cheio de poder se comunicar comigo, entender este mundo e não vislumbrar alternativas para ele.


Eu não nasci neste mundo, não pertenço a esse conjunto de leis, códigos criados para a sociabilização do homem. De onde eu venho tudo é mais simples e restrito, a comunicação não existe.

Por vontade do meu dono, eu aprendi essa coisa louca do que os habitantes da terra chamam de linguagem, já que de onde eu venho, a única coisa que precisamos é aturar o peso da cabeça das pessoas, aqui podemos ser gordos, acho que as pessoas gostam mais.

Já pedi ordenados extras ao Marcelo de Freitas, meu dono, pois além da baba e do peso da cabeça doida dele, tenho que aconselhá-lo e entendê-lo. Elaboramos uma linguagem que, por mais surreal que pareça, nos possibilita a troca de informações, o que é ótimo, visto que aprendo outra cultura, infinitamente maior do que a minha, mas as nêuras e psicoses do cotidiano humano são complicadas de entender.

Um pequeno exemplo do que digo é o da constante "rotularização" do mundo humano. Tudo bem que os que bebem na fonte da semiótica dirão que tudo é simbólico, icônico, ou que para todas as coisas temos a imagem de uma representação simbólica das próprias coisas. Tá bom, muito teórico pra mim, que nem cabeça tenho. Não é disso especificamente que eu falo. O que digo é que para a sociabilização, é preciso que se prove sempre, não há como escapar dos estereótipos, o que pode ser bom quando falamos de beleza ou de crescimento profissional, ou de status tipo: Sou jornalista, ou então, fulana de tal é linda ou a socialyte beltrana. Isso abre várias portas, mas minha análise é que apenas alimentam um sistema vigente, de dominação do belo, mesmo quando este é o inútil. Doenças são criadas e perigosamente alimentadas pela busca incessante do padrão ideal a sobrevivência no sistema vigente.

É complicado perceber que neste mundo, o negro é diferente, a mulher, o gordo, o magro, nada disso parece ser apenas detalhes, tudo é reparado com grandes prejuízos ao humano, no serviço, na sociabilização com os outros, enfim, parece que o sistema consolidou uma nova "raça ariana", melhor do que as outras pela simples caraterística, inata, da padronização, o que torna o mundo a cada dia mais burro, tapado a novos modos de pensar e de se analisar os problemas.

O desperdício de experiências, virtudes, transforma a sociedade "ariana" em cavalos que só enchergam pra frente, mas com tanto desenvolvimentismo, não só econômico, mas político, social, financeiro, é necessário olhar cada vez mais para os lados.

A última vez que tentaram padronizar ao redor de uma raça e um ideal, chegamos num dos pontos mais trágicos da convivência social no planeta, é isso que os homens querem?

Quem pode entender.

4 comentários:

Pablo Pamplona disse...

Muito bom! O seu travesseiro é dos bem espertos, Marcelo! ...ou dos mais burros... mas por que raios, você foi ensiná-lo a nossa linguagem? Pobre coitado, nada fez pra merecer isso... e mal conheceu o mundo, já veio rotulado: que preconceito é esse contra os travesseiros? Eles são gente como a gente! hehehe

Mas que o Travis seja muito bem vindo! Os nossos maiores confidentes, sempre tolerantes..

Marcelo de Freitas disse...

não, lá no mundo dos travesseiros, diz ele, não existe nem o conceito de gente, é como se eles não soubessem nem quem são.
realmente não fiz uma coisa boa ensinando ao travis, mas agora ja ta feito e ele me ajuda muito.
o porblema vai ser se ele resolver ensinar aos outros de seu planeta, uma nova versão para o mito da caverna, kkkkkk

Pablo Pamplona disse...

não haverá mais travesseiros no mundo! ou eles não mais se calarão diante nossas caspas... uma nova revolução virá, e haverá sangue e plumas por todo lado.

Marcelo de Freitas disse...

eis o mistério da fé!
kkkkkkkk
olha o que eu fiz?
posso ter virado o deus da revolução dos travesseiros