29.11.06

Seu Rusário, O Inventor

Em uma cidadezinha do interior das Minas Gerais, onde a letra R até hoje é falada com um sotaque um tanto quanto carregado havia, ou ainda há um sujeito que se diz não inventor. Mas se ele que se pronuncia o não criador de nada daquilo que todos dizem que foi de sua criação, como pode se esconder durante vários anos em sua casa, que por sinal também é uma de suas maiores peripécias criativas.

Esse cidadão de quem falo é um senhor chamado Rosário. Mas em sua terra o chamam de Seu Rusário Hidalino o maior inventor de todos os tempos. Aquele que melhorou e “há de melhorar” mais ainda esse mundo, que para ele ficou tão pequeno.

Rusário ou Rosário (como ele preferir) nasceu cresceu, e segundo o povo, haverá de subir ao céu, sem nem mesmo ter saído de sua pequenina, mas nem um pouco pacata cidade. Onde ele e seus conterrâneos são conhecidos pelos grandes e suculentos Marolos. Essa fruta que mais parece um fruto do conde depois de um banho de lama, é o carro chefe dos patrimônios daquele lugar.

Como já falei demais do inventor e sua cidade, vou lhes contar uma das mais de quinhentas mil historias de seus humildes, porem não menos importantes, inventos e peripécias.

Na rodovia que corta a cidade tem um posto de gasolina de uma família de gaúchos. E numa madrugada de sábado para o domingo meu primo e mais um amigo pararam nesse lugar para abastecer e pegar uma cerveja. Quando eles iam saindo o frentista que estava atento a discussão dos dois entrou na conversa:

– Vocês estavam dizendo que precisam regularizar seus documentos com o Detram?

– Sim, eu e meu amigos vamos para a festa do congado e estamos com medo dos ‘Homi’ nos parar. Pois estou a mais de dois anos com o IPVA vencido, e não tenho grana para regularizar essa situação.

– Há mais isso é fácil demais de se resolver.

– É só vocês irem na casa do Seu Rusário, o Inventor. Aquele que criou a primeira extensão sem fio do mundo. E entre seus maiores inventos está a maquina regularizadora, que funciona via Internet.

O que acho mais interessante desse ultimo invento que o frentista fala, é que essa história aconteceu a mais de 15 anos. E no Brasil ninguém tinha Internet direito, e era um troço caro de se conseguir. Mas voltando a história, o moço do posto completou:

– Essa maquina de que eu to falando pode regularizar qualquer tipo de documento, até tira carteira de motorista pra pessoa menor de idade. É uma belezura, só vendo mesmo pra vocês verem o quanto isso pode melhorar o mundo.

– Mas quando vocês forem lá, não digam que fui eu quem lhes contei. Pois ele é muito vingativo e mau-humorado, e não gosta de mostrar, nem menos compartilhar seus inventos com ninguém.

Meu primo meio desconfiado pergunta:

– Mas se ele é tão bravo assim...

– Bravo não, no máximo nervoso. (Disse o carona. Mas essa do Homem Bravo é uma outra história).

–... Se ele é mesmo nervoso demais como vou convencê-lo de me ajeitar esse invento?

– É só você insistir muito. (Disse o frentista)

– Insista o máximo que puder. Seu Rusário é nervoso, mas tem uma fraqueza que o condena.

– Ele é a pessoa mais vaidosa desse mundo. Se você disser que ouviu falar demais dele. E que ele é famoso por toda região, fica fácil de conquistar aquele velho coração.

E os rapazes seguiram em direção a mansão do velho Hidalino. Onde até hoje não se sabe como terminou essa trajetória. Mas uma certeza todos tem. Meu primo foi a festa do congado, e não foi pego pela blitz da policia.


Um comentário:

Marcelo de Freitas disse...

muito boas as matérias Kennedy.
sugioro apenas que você procure imagens para dinamizar a leitura ok?
abração