24.11.06

Natal sem fome... E a demagogia continua.





Todo ano é a mesma coisa, enquanto uns comem caviar, reúnem suas famílias para as festas de fim de ano - eterna renovação burguesa – fazem promessas de que tudo vai ser diferente no próximo ciclo (ano, mês, dia), outros vêem um novo tempo nascer sem muita coisa pra comemorar. Resumindo: a vida de homem burguês é um ciclo pautado por promessas quase sempre infundadas.
Para "corrigir" isso, propostas não faltam: Fome Zero é o exemplo do governo federal. Se você, leitor, acha que empresários não ligam para esse tipo de coisa veja o Natal sem fome. Algum ser iluminado por Deus proporciona a felicidade a alguns seres desprovidos por natureza, não é lindo? Se não fosse trágico seria com certeza.
Pensemos de duas formas:
Eu, burguês, empresário, ator renomado, como do bom e do melhor, tenho tudo que quero, mas uso da minha fama e sucesso para beneficiar o próximo, que lindo! Mas faço isso no Natal, tenho compaixão uma vez por ano, como se fosse o castigo depois da hora de confessar meus pecados deste ciclo que está por acabar, para entrar na nova era limpo e liso, igual a bumbum de neném, e poder pecar de novo, pois terei meu perdão no fim, juízo final, e além de tudo, consigo um ótimo marketing pessoal.
Ou então:
Eu, faminto, bebo suco de planta derretida junto com meus oito filhos, passo fome, mas o pior é olhar pra tanta gente do meu sangue sem futuro e sem comida, espero a chuva, a ajuda, o carinho de alguém. Não perco a esperança, mas me fecham as portas, o único direito que tenho e esperar, talvez eu possa sonhar também. Se puder, eu sonho, e em meu sonho, interrompido pelo choro de fome do meu filho, peço para que todo mês seja dezembro e que todo dia seja Natal. Nessa época me sinto gente, nessa época tenho ceia, meus meninos me importunam, não mais com choro, mas com risos e novos brinquedos, bendito seja quem teve essa idéia, se todo dia fosse natal...
Essa história mostra o quanto nossa sociedade é demagoga, se preocupa com seus próprios problemas se esquecem, excluem, problemas maiores e mais graves do que o trânsito, ou a dúvida fútil pelo peito siliconado ou o natural.
Pensemos, de um modo mais amplo, desde a federação até a sociedade civil, nos preocupemos mais com a nossa situação, nem todo dia é Natal.

* não cairei na generalização. Quanto ao marketing pessoal, tem muita gente de bem por traz dessa campanha, e de tantas outras, o que falta é a continuidade, problemas não escolhem data para acontecer, se escolhessem, por que teria que ser no nascimento de Jesus?

3 comentários:

Sonetos & Rabiscos disse...

Marcelo,
gostei do incêncio, amigo!
Infelizmente, é sempre assim.
E vem novo ano, sempre antigo.
Abraço,

Danilo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Danilo disse...

Eu gostei muito do texto e do assunto, ainda mais pelo lado imparcial. Concordo que apesar de tudo e todos, existem pessoas que têm boa vontade e elas não tem uma data para ajudar e contrario a isso outras pessoas fazem apenas para se promover chegando ao extremo de nem saber para quem está ajudando pois o acessor que faz suas malas....
Abraço