29.11.06

Luta Antimanicomial é marcada com vários eventos

A luta antimanicomial é um movimento social para a inclusão do portador de deficiência mental na sociedade. Em Divinópolis, o movimento de luta antimanicomial é coordenado pelo Serviço de Referencia em Saúde Mental (Sersam). Segundo Ataíde Fonseca de Azevedo, psicólogo e gerente do Sersam, "a manifestação acontece todo ano, no dia 18 de maio, em todas as cidades que têm Centros de Apoio Psicossocial (CAPS) e centros de convivência. Nesse dia, em 1987, uma equipe de profissionais da saúde mental da cidade de Bauru chegou à conclusão que se precisava humanizar os hospitais psiquiátricos e criar uma nova estrutura de tratamento. Foi a partir desse movimento que se começou a falar em reforma psiquiátrica no Brasil".

Os centros de tratamento psicossociais contam com o apoio dos serviços de residência terapêutica e o De Volta Para Casa, que consiste em tratamentos voluntários nos quais os usuários não ficam internados. Em Divinópolis, funciona o CAPS 2, o Sersam, que, segundo Ataíde, "é insuficiente para atender ao numero de pessoas da cidade. Ele é referência para 204.000 habitantes de Divinópolis (de acordo com dados do IBGE) e aproximadamente 60.000 dos municípios consorciados (Conceição do Pará, Cláudio, Carmo do Cajuru, São Sebastião do Oeste, Santo Antônio do Monte e Perdigão). Portanto, nós atendemos mais de 250.000. O serviço da já cidade está saturado. É preciso outras estruturas, que a rede básica, formada por postos de saúde e Plano de Saúde da Família (PSF), estejam também engajados no tratamento".

De acordo com o gerente do Sersam, "a responsabilidade sobre o financiamento desses trabalhos é dos três níveis de governo, o municipal (execução e financiamento), o estadual (financiamento) e o federal (financiamento). Os procedimentos feitos pelos CAPS são financiados através de Autorizações de Procedimentos de Auto Custo (Apacs). As verbas são repassadas de setor para setor, vêm do Ministério da Saúde para o fundo municipal da saúde".

Os luta antimanicomial é um movimento que pretende aumentar cada vez mais a autonomia dos centros de tratamentos psicossociais e não precisar depender de internações em hospitais psiquiátricos (manicômios). "Na realidade, auto-suficiência nós nunca teremos. Mesmo se acabarem os centros de internação, ainda iremos depender de outros setores de tratamento para a saúde e inclusão social do paciente. O planejamento se constitui em uma formação de um trabalho em rede, onde o responsável é referência para o usuário, seria o CAPS. E também, trabalharia com outras estruturas da rede social, como a igreja, a família e um grupo religioso. Independente das estruturas deve-se pensar um trabalho que possa atender qualquer área em que a pessoa more", coloca Ataíde.

"No Brasil são 800 CAPS, acredito que todos os estados tenham. Só em Minas Gerais, nós temos 30 serviços de residência terapêutica, mais de 30 serviços substitutivos que englobam todas as áreas de atendimentos psiquiátricos. São 300 equipes de saúde mental auxiliando na atenção primária, e mais de 10 associações de usuários. A própria participação do paciente é importante. Em Divinópolis, existe a associação Sersam", diz o psicólogo.

Para que o tratamento dos doentes seja mais eficiente, é preciso que sua família o acompanhe semanalmente. Quando há uma interação de todos os pontos que envolvem os pacientes, fica mais fácil e eficaz o tratamento. E para que isso aconteça, é preciso que todos colaborem. O intuito do movimento antimanicomial é conscientizar as pessoas que não conhecem os atuais tratamentos psiquiátricos e formar uma sociedade que não exclua essas pessoas.


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