15.11.06

1001 formas de se perguntar a mesma coisa: Manual para o “jornalismo esportivo”

Esta publicação deve existir. Se existe é um best seller em redações de jornais que cobrem esportes. Se ainda não existe, eu é que não quero ganhar os créditos de um livro tão “importante e necessário” para o cotidiano de meus colegas de profissão.
Perguntas como “o que você achou do jogo? Você está feliz com a vitória de seu time? O que faltou para conseguirem vencer?”, entre outras, já estão saturadas no mercado, há que se estabelecer códigos de compreensão entre o segurador de microfone e o esportista, que ultrapassam essa barreira da futilidade.
No Brasil, vários representantes da classe dos esportistas procurados pela imprensa têm origem humilde, pode ser essa a justificativa dos repórteres em perguntar coisas banais, como se eles – nós -, jornalistas, soubéssemos mais.
Com o desenvolvimento da educação no país vêm as respostas que intimidam e afrontam o criativo e iluminado ser que detém o dom do saber, do português bem “dizido e escrivinhado”.
Exemplo disso foi uma das respostas de Edmundo a um repórter mineiro. O jogador, em sua passagem pelo Cruzeiro, deixou marcas no coraçãozinho criativo do pobre rapaz. Após uma derrota foi indagado pelo “perguntador”:

- Edmundo, analise o jogo para os ouvintes.
E a resposta do animal? Bem, no mínimo foi hilário...
- Sou pago para jogar, quem analisa são vocês.

Casos como esses não faltam. A briga de Galvão Bueno, apresentador da rede Globo, com o zagueiro, bastante inteligente, Roque Júnior, está ai para nos provar que o desporto popular também oferece cultura. Depois de críticas do apresentador que disse que o zagueiro não tinha futebol suficiente para jogar na seleção os dois quase chegaram aos tapas na preparaçção da seleção para a copa 2002. detalhe: Roque, atualmente, joga no Bayern Leverkusen da Alemanha. Ele é poliglota, fala fluentemente Inglês, Francês e Italiano, além do Português e, aprende o Alemão*.
A padronização está por toda parte, há que se inovar, produzir algo útil. É necessário se produzir, no mercado saturado, algo novo, será que alguém é capaz? Se for pelo dinheiro, eu digo que o cargo é muito bem remunerado (lei da oferta e procura).
Alguns “aventureiros” fazem, e muito bem feito, seus papeis. Mesmo na rede Globo, rainha mor da padronização, existem Conservani’s, Uchoa’s, Pais Leme’s, Barcelos’s, entre outros para salvar a pele de jornalistas.
A população está a cada dia mais esclarecida, meus garotos. Não cavem respostas polêmicas, não forcem a barra. Um dia ainda encontrarão Edmundos e Roques pela frente.
Atêem fogo aos velhos conceitos, velhas perguntas (tenho pretensão de dizer a todos, à população e aos meus colegas). Se arrisquem no pantanoso terreno do novo, encarem de frente o monstro do pântano e passem-no goela abaixo. Essa é a minha dica.
Pensando bem, fodam-se as dicas. Se virem, mas do jeito que está não pode ficar.


* Roque Junior, em programa da MTV, citou todos os dados colocados neste texto.

Nenhum comentário: